quarta-feira, 27 de maio de 2015

Crianças e jovens no século XXI - Leitores e leituras

Crianças e jovens no século XXI - Leitores e leituras

Caros leitores,

Neste post apresentamos uma obra muito interessante da Revista Digital EMÍLIA, 
realizado em coedição com A Cor da Letra: 
Crianças e jovens no século XXI – leitores e leituras.
A publicação apresenta os seminários Conversas ao Pé da Página e a Residência 
de ilustradores realizada em parceria com a Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake. 
Nessas mesas, com mais de 30 participantes, renomados especialistas do Brasil e de oito
países, são discutidos de maneira profunda e clara temas em torno da infância e do jovem
hoje, da formação leitora e da produção editorial.
Mais do que um panorama, é uma referência para todos os agentes e pensadores do 
mundo do livro e da leitura. 


Fonte Disponível em: <http://www.revistaemilia.com.br/mostra.php?id=347>

terça-feira, 19 de maio de 2015

História oral na sala de aula

Caros leitores,
Selecionamos esta indicação de obra para todos aqueles que desejam trabalhar com o tema "Leitura".



História oral na sala de aula
Editora: Autêntica
Autores: Ricardo Santhiago, Valéria Barbosa de Magalhães
Páginas: 208
Preço: R$ 47,00
ISBN: 9788582174319 



O livro faz parte da Coleção Práticas Docentes, coordenada por Maria Eliza Linhares Borges. 
A história oral é uma prática fascinante que permite a apreensão do mundo a partir das lembranças dos indivíduos. Como método de pesquisa, ela conduz a um conhecimento inovador e sempre dinâmico, questionando a visão do saber (histórico ou não) como algo pronto. Como recurso pedagógico interdisciplinar, ela permite desenvolver nos estudantes novas habilidades de leitura e escrita; estimular seu trabalho criativo e conectá-los às suas comunidades.

O livro História oral na sala de aula fornece aos professores do ensino médio – e também em outros níveis da escola – as ferramentas fundamentais para a utilização do método da história oral como recurso pedagógico. Com uma linguagem clara e acessível, este livro busca apresentar a educadores de diversos campos o potencial do método como ferramenta pedagógica, expondo suas diferentes etapas de pesquisa, além das questões teóricas e conceituais que o balizam.


Páginas: 208 • Formato: 16 x 23 cm • Acabamento: brochura • ISBN: 9788582174319 • Área temática: Pedagogia - formação de professores • Autêntica Editora • Edição: 1 • Coleções: Práticas Docentes • Coordenadores da Coleção Maria Eliza Linhares Borges • Data de publicação: 31/03/2015

Fonte disponível em: <http://www.contec-brasil.com/pt/newsletter/02227/> 

terça-feira, 12 de maio de 2015

Assista antes de ler

Assista antes de ler Folha de S.Paulo
Carolina Dantas
04/05/2015


"Li 'Vidas Secas' só por ler, meio sem vontade. Anos depois, quando assisti a Tati, realmente fiz por interesse", diz o arquiteto Rafael Ribeiro, 22. Ele se refere a Tatiana Feltrin, 33, dona de um canal no YouTube que comenta uma das exigências do vestibular: os livros. Os chamados "booktubers'' formam um grupo de fãs da literatura que se reúne pela internet. Eles leem pelo menos um livro por semana e comentam on-line. Entre as obras, estão aquelas de leitura obrigatória nas provas das universidades públicas. “Estou com um desafio de falar sobre cem obras da literatura brasileira. Já levantei os nomes da Fuvest. A cada 15 dias vou comentar sobre uma delas", diz Feltrin, dona do canal criado em 2007 que leva o seu próprio nome. Os vídeos são feitos, quase sempre, na casa de cada um e sem muita produção. Eles não se sustentam com esses canais. O único pagamento vem do "Google AdSense", ferramenta que conecta anunciantes com canais de produtores de conteúdo na internet.
Tatiana Feltrin, a mais antiga das "booktubers", recebe perto de U$ 300 (o equivalente a R$ 900) por mês, marca que conseguiu alcançar há apenas um ano. 
Leia mais

​
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/218107-assista-antes-de-ler.shtml>

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Leitura, escrita e ensino – Discutindo a formação de leitores

As novas tecnologias estão sempre a favor do ensino 



Por Ivani Cardoso
A leitura e a escrita são atos políticos, porque são transformadores. A frase é da educadora Victoria Wilson, organizadora da obra “Leitura, escrita e ensino – Discutindo a formação de leitores ” (Summus Editorial) e ela afirma que, apesar dos avanços, tornam-se cada vez mais agudas as dificuldades para fazer com que os brasileiros atinjam patamares superiores de alfabetismo. “Este parece um dos grandes desafios brasileiros para a próxima década. Muitos professores, sobretudo os mais jovens, estão atentos e acompanham a(s) tecnologia(s), o que não quer dizer que isso vá alterar a metodologia de ensino. A metodologia de ensino essa sim é estruturante e vai fornecer as bases para que o ensino seja produtivo, dinâmico, criativo”, garante Victoria. Para ela, o acesso ao livro é fundamental para garantir a incorporação de práticas de leitura ao cotidiano. Victoria credita aos professores um papel fundamental na formação: “O professor assume um lugar privilegiado de escuta, escuta sensível, amorosa, empática, sobretudo: qualquer criança ou jovem, quando bem orientados por seus professores, vão longe!” Quando fala na participação dos professores na formação de leitores, ela recomenda que o professor leve sempre um livro – qualquer que seja –para a sala de aula. Um compêndio, uma gramática, um livro de poesias, um romance. “Por que não começar a aula simplesmente lendo uma poesia – e mais nada”, questiona. Quando analisa a leitura em tablets e outros suportes, Victoria diz que é preciso entender que estamos “condenados” a ler, mas o ato e a atividade de leitura podem mudar. “Mas não precisamos temer e sim procurar entender sem pré-conceitos... Difícil, mas possível”, complementa. 

Qual é a proposta do livro Leitura, escrita e ensino? 
O livro é destinado a profissionais da área de Letras, Pedagogia e áreas afins, a profissionais e estudantes das mesmas áreas e/ou àqueles que, porventura, possam ter interesse no assunto (leitura, escrita, ensino-escola e outros espaços), inclusive pais, mães e responsáveis.

Na questão da leitura, da escrita e do ensino, como entram as novas tecnologias na sala de aula? 
As novas tecnologias estão sempre a favor do ensino desde que usadas adequadamente, como instrumento, ferramenta e jamais como substituição do profissional. São acessórios, bastante interessantes e produtivos, e quando bem utilizados podem ajudar, auxiliar o trabalho do professor e assim devem ser considerados. A entrada da tecnologia em sala de aula vai depender de vários fatores: as condições socioeconômicas do país, do estado, do município (tratando-se das instituições públicas); do não desvio de verbas para a aquisição de material adequado e de boa qualidade; da boa vontade e disposição política; da disposição emocional, intelectual, acadêmica aliada à necessidade do professor em trabalhar/usar/explorar a tecnologia em sala de aula. 

Qual a relação entre o ato de aprender a ler e o contexto social do aluno?
Total. Evidentemente que as condições socioeconômicas interferem diretamente no quesito acessibilidade aos bens materiais, simbólicos, culturais, passando também pela locomoção (transporte) e toda sorte de dificuldades (políticas, sociais, geográficas – o Brasil é um país continental), ainda que muitos alunos da rede pública e de baixa renda já tenham computadores em suas casas e portem celulares. Porém, vale ainda a máxima: a boa vontade do professor, seu desejo, seu empenho, seu trabalho incansável (como vemos em muitos projetos realizados no Brasil em escolas de difícil acesso ou não, em universidades como a Faculdade de Formação de Professores da UERJ - São Gonçalo); não como missionário, mas como educador, como aquele que entende que educar é uma ação/atividade de dentro para fora e não de fora para dentro.

Como você define a ação de educar?
Essa compreensão faz toda a diferença. Já dizia o professor Eduardo Portela: educar vem do latim ex-ducare. O que vemos muitas vezes é o contrário: a ação de educar como algo de fora para dentro. Nesse sentido, o contexto de origem do aluno ao invés de ser um problema ou de ser considerado como algo negativo, como déficit, passa a ser encarado como riqueza, desafio, promessa. É aqui que o professor assume um lugar privilegiado de escuta, escuta sensível, amorosa, empática, sobretudo: qualquer criança ou jovem, quando bem orientados por seus professores, vão longe!!!!!!!!!!!!!!!

A renda familiar influi no aprendizado?
A propósito, vejamos os indicadores do Inaf (Indicador de Alfabetismo Nacional)/2011 quanto à relação entre o ato de aprender a ler e o contexto, tendo em vista aqui a renda familiar: ao observar o comportamento do nível de alfabetismo segundo a renda, verifica-se que há uma correlação entre a renda familiar e o nível de alfabetismo (grifo meu). Com efeito, a proporção de analfabetos e daqueles incluídos no nível rudimentar diminui sensivelmente à medida que aumenta a renda familiar. Apenas entre as pessoas que têm renda familiar maior que 5 salários mínimos o nível pleno é predominante, (52%), seguido pelo nível básico (41%), o que caracteriza quase a totalidade deste grupo (93%) como funcionalmente alfabetizada. Daquelas pessoas cuja renda familiar oscila entre 2 e 5 salários mínimos, só 33% atingem o nível pleno, ficando a metade no nível básico, 14% no rudimentar e um percentual muito pequeno (3%) na condição de analfabeto. Já entre as pessoas que possuem renda familiar entre 1 e 2 salários mínimos, praticamente a metade fica no nível básico, 30% se limita ao nível rudimentar e 6% pode ser considerado analfabeto. Somente 15% das pessoas deste grupo chegam no nível pleno. Por fim, entre aquelas pessoas que possuem até 1 salário mínimo de renda familiar, quase a metade é de analfabetos funcionais (17% os analfabetos e 31% no nível rudimentar). Já entre as pessoas funcionalmente alfabetizadas, há um claro predomínio de pessoas no nível básico (45%) em relação ao nível pleno (8%).

Qual é a sua conclusão sobre essa pesquisa?
Apesar dos avanços, tornam-se cada vez mais agudas as dificuldades para fazer com que os brasileiros atinjam patamares superiores de alfabetismo. Este parece um dos grandes desafios brasileiros para a próxima década. Os dados do Inaf reforçam a necessidade de investimento na qualidade, uma vez que o maior acesso, ainda que tenha contribuído para a redução do analfabetismo funcional, não foi suficiente para que o nível de alfabetismo da população evoluísse mais rapidamente para o nível pleno, que permaneceu estagnado ao longo de uma década nos diferentes grupos demográficos. Cabe afirmar que a qualidade não se refere apenas à quantidade de horas de estudo ou à ampliação da quantidade de conteúdos ensinados, mas a um conjunto bem mais amplo de fatores como a adequação das escolas e currículos, a políticas intersetoriais que favoreçam a permanência dos educandos nas escolas, a criação de novos modelos flexíveis que permitam a qualquer brasileiro ampliar seus estudos quando desejar, em diferentes momentos de sua vida. Esses dados corroboram o fato de que há sim uma relação direta entre leitura/escola e contexto social

Qual é o papel das bibliotecas escolares na questão da alfabetização? Escolas que não possuem bibliotecas como podem amenizar a falta?
O papel das bibliotecas é fundamental desde que bem equipadas e adequadamente preparadas (com acervo de qualidade, com tecnologia também, com bibliotecária que estimule a leitura; a biblioteca como espaço de integração, socialização, prazer de ler). A biblioteca não como espaço sem vida, antes, um espaço interativo, também empático. Em escolas que faltam livros, é só pesquisar para ver o quanto se faz no Brasil: livros emprestados, folhas de jornal, revistas, cópias de textos, quadro de giz, tudo o que for possível ter à mão para que se possam fazer rodas de leitura ou qualquer atividade que envolva a leitura e a escrita, estimulando o prazer de ler acima de tudo. Ou seja, sempre podemos amenizar a falta, desde que tenhamos compromisso com o educar. Isso não significa que não tenhamos que lutar pelo direito básico a uma educação de qualidade: escolas com bibliotecas, ginásios, fácil acesso, confortáveis, alegres, claras, limpas, organizadas e vivas. E com profissionais bem remunerados, mais felizes. 

Como passar o amor pela leitura na sala de aula?
Primeiro o professor tem que amar o livro, amar ler. Não adianta só dizer que ler é importante, etc, etc. Todos nós que somos da área sabemos disso. Mas, antes de tudo, o prazer de ler é fundamental. Esse prazer, a meu ver, só se adquire quando cheiramos o livro - o papel tem um odor especial -, quando o tocamos, o acariciamos, folheamos, para já imaginarmos, nesse toque, nesse contato, o que nos espera no momento em que começarmos a “ver” a capa, a contracapa, quando lermos as primeiras linhas, para adivinharmos o mundo que se descortinará, com quais personagens nos envolveremos, se sentiremos amor, raiva, tristeza, decepção, alegria... que cultura, culinária, vestimenta, arquitetura, geografia e história vou conhecer. E isso se faz com os alunos, levando os livros para a aula, deitando-se com os livros, abrindo-se as páginas a esmo – é uma atividade sensual primeiramente, mágica, lúdica... e depois, bem depois, ...racional (se é que podemos separar a emoção da razão). O livro é tátil, algo que pode ser acariciado pela beleza, pelo mistério, pelas memórias passadas e futuras. Se o professor não gosta de ler... aí pronto: dificilmente ele conseguirá expressar algo que ele não sente por mais que ele aponte as razões sobre a importância do livro e da leitura. O que o livro faz com sua/nossa vida? Em que ele te/nos transforma? O que o livro nos proporciona? Então, o professor tem que levar o livro – qualquer que seja – para a sala de aula. Um compêndio, uma gramática, um livro de poesias, um romance. Por que não começar a aula simplesmente lendo uma poesia – e mais nada? Basta a leitura intensa, de dentro para fora... o resto é com os alunos. Deixe o livro “de bobeira” sobre a mesa, oferecendo-o ao “desavisado”... invente uma história; introduza uma e crie a curiosidade...

Poderia falar sobre a leitura de contos de fadas e sua importância para a formação docente?
Os contos de fadas fazem parte do inconsciente coletivo; exploram a dualidade bem x mal, feio x bonito, rico x pobre, etc não de modo dicotômico, a meu ver, mas integrado na polaridade de suas figuras simbólicas: fada x bruxa; príncipe x sapo/mendigo; princesa x rainha; rainha boa x rainha má; poder, etc etc. Segundo Bruno Bettelhein e Marie Louise von Franz os personagens dos contos de fadas funcionam como arquétipos importantes na formação do indivíduo. Para os autores, cada um a seu modo, quem polariza, quem estabelece a dicotomia é o adulto, daí, termos que entender que a criança percebe tudo de modo integrado e consequentemente ela passa a lidar melhor com seus medos, raivas e frustrações, porque sente, compreende a integração dos contrários. Importante lembrar que os contos de fadas – da tradição (e não as adaptações, NUNCA) – também falam de uma cultura antiga, de base oral. O que ocorreu é que muitos desses contos foram adaptados para atender a então burguesia – lá pelo século XVII – transformando muitas vezes uma dura realidade (por exemplo, A menina dos fósforos ou mesmo a Chapeuzinho Vermelho) – em realidades maquiadas, com fundo moralizante e com uma ideologia de fundo maniqueísta e segregador.

A contação de histórias continua importante na formação de crianças?
Para mim, sim, fundamental sempre. Seja em casa pelos pais seja na escola. Entendo que contar histórias é um meio de estimular a criança à leitura... se não naquele momento, tempo, mas em outro, longínquo até. Mas volto a bater na mesma tecla. A contação de histórias sem afetamento, mas como algo natural que encante, que seja um convite à integração... um momento deveras especial.

Em um mundo onde há tantos chamados tecnológicos, como despertar no aluno o interesse pelo livro impresso? 
Acho que há várias formas de ler e isso a leitura digital tem mostrado, ainda que eu, particularmente, prefira o livro impresso e veja magia nesse livro, nesse “material”, para mim, carregado de simbologia, mistério e magia. Sem dúvida, muitos jovens trocaram a forma de ler. O ato de ler continuou o mesmo? Não sabemos, talvez só daqui a alguns anos. As pessoas estão lendo mais? Aparentemente sim, pois a leitura digital – pelo celular inclusive – facilita a vida: em segundos, com um clique, abre-se um leque de possibilidades. E eu posso ler onde estiver, por exemplo. No entanto, que alegria é ver uma livraria perdida num lugar onde nem bancos há? Que alegria é ver estantes tão coloridas repletas de livros. Quem despertará isso em nossos filhos/alunos? Não olhe “pra” baixo; “pro” celular; vire-se, olhe “pra” frente e veja as estantes, pegue o livro, abra-o, sinta-o em suas mãos, veja a palavra impressa no papel – a folha. Folheie... esse verbo vai acabar? Quem folheia? Eu não posso folhear a tela do computador, nem a do celular. Logo, o suporte sendo outro, outros modos de leitura acompanharão esse suporte. Não folheamos, mas clicamos. O que se altera com essa mudança? São as mesmas perguntas que (se) fizeram quando do nascimento da imprensa? Prefiro entender que estamos “condenados” a ler, mas o ato e a atividade de leitura podem mudar. Mas não precisamos temer e sim procurar entender sem pré-conceitos... Difícil, mas possível. 

Quais são as principais características de um bom livro infantil? E de um juvenil?
Qualidade literária e estética primeiramente (texto com boa trama, bom enredo, poético, simbólico, com estilo: escrever para crianças e jovens é coisa muito séria; respeito ao leitor infantil e juvenil (criança e jovem quando acostumados a coisa boa, tenderão a evitar “porcarias” de massa, a não ser para fazer uma catarse, mas aí serão conscientes disso); qualidade do papel; ilustrações que também acompanhem a estética – não sejam chapadas ou induzam ao reforço de preconceitos – por que todos os personagens têm que ser brancos, louros, felizes, com carinha higiênica??? – tamanho da letra e tipo da fonte (fundamental de acordo com a idade); espaço entre as linhas (idem); formato do livro (bom para o manuseio de acordo com a idade também); capa atraente. Livros que respeitem e aproximem as diferenças e os diferentes, que ousem falar de qualquer assunto – não pode haver tabu – que sejam originais na medida de seu compromisso com a palavra escrita literária-estética. Sem valor estético-literário o livro, para mim, deixa de existir como livro. 

A senhora considera a literatura infantil e juvenil brasileira de qualidade? 
Claro que sim! A literatura infantil e juvenil brasileira só cresceu. Desde o boom das décadas de 70 e 80 com a recuperação e releitura de Lobato, autores como Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Lygia Bojunga Nunes (premiadíssima), Eva Furnari, Ziraldo, Sylvia Orthof, Bartolomeu Campos Queirós, Roseana Murray, entre outros e muitos outros da atualidade que não conheço, vêm enriquecendo e engrandecendo nossa literatura. Fora os ilustradores de mão-cheia! A releitura de Lobato, a releitura dos contos tradicionais (numa ótica inovadora), a introdução de temas que eram considerados tabus, a reflexão sobre as diferenças étnicas, ideológicas, sociais; histórias de negros, índios; de crianças e jovens marginalizados socialmente, de meninas, mulheres, ganharam espaço e voz. O fundo moralizante, didático e autoritário perdeu espaço para novas formas de dizer e ver o mundo com liberdade e criatividade, questionamentos e reflexão, sem ser uma literatura “chata”, mas altamente compromissada com a palavra literária numa linguagem clara, poética, libertadora, lúdica. Literatura é arte. Literatura infantil e juvenil é só um rótulo para identificar o público a que se destina.

A Sra. concorda com os critérios de seleção das obras que são escolhidas para as escolas públicas? Os professores também deveriam opinar? 
Não conheço. O que via nas escolas era a introdução marcante dos chamados paradidáticos, livros esses que não tinham (ou quase não em sua maioria) compromisso com a literariedade. Não eram obras de arte, consequentemente, estavam longe de poder ser identificados como literatura. Conheci muito a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que fazia um trabalho impecável de seleção de obras infantis e juvenis, com critérios sérios para levar às escolas com seus boletins, o que havia de melhor na literatura para crianças e jovens. Também com seu programa Ciranda de Livros – que rodou o Brasil inteiro, levando livros para a Amazônia, por exemplo, ou em lugares onde os alunos só tinham (e só têm) acesso ao livro didático!

Quais são as práticas que mais aperfeiçoam a escrita?
Ler sempre. E escrever sempre. Escrever em vários gêneros do discurso, em várias modalidades. Sem preconceito, sem preocupação com o certo e o errado. E aí pensar em metodologias de ensino que possam aperfeiçoar essas práticas, desde que não sejam camisas de força ou receitas pré-fabricadas. Escrever como possibilidade. Escrever é um ato libertador (não confundir com catarse). Daí, entender a leitura e a escrita como atos políticos, porque transformadores. Do mesmo modo o ensino da escrita deve ser de dentro para fora e não de fora para dentro – ainda que primeiramente precisemos copiar o outro, ser o outro, mas depois internalizarmos nossas formas próprias de dizer, ainda que impregnadas dos movimentos dialógicos (Bakhtin).


Fonte disponível em:<http://www.contec-brasil.com/pt/newsletter/02193/>